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Escrivão continua com escolta mesmo com saída de Perri do processo
23/10/17 - 09:23 
Por: Celly Silva- Gazeta Digital

 

 Mesmo com a saída do desembargador do Tribunal de Justiça (TJMT) Orlando Perri da relatoria dos 6 inquéritos policiais que investigam o esquema das interceptações telefônicas ilegais operadas no Estado, o tenente-coronel da Polícia Militar, José Henrique Costa Soares, continuará sendo escoltado por 9 policiais militares em decorrência de sua denúncia que culminou com a operação Esdras. 

 
Perri foi quem determinou a segurança particular ao militar e ao filho adolescente dele, uma vez do perigo de represálias por parte das pessoas relatadas por ele como membros de uma organização criminosa montada para impedir o sucesso das investigações dos grampos ilegais.
 
“Eu tive uma reunião com o desembargador e ele me garantiu que será permanecida a escolta. A proteção dele vai permanecer. Eu tive essa preocupação porque, de fato, a vida dele corre sério risco. A escolta é para ele e para o filho dele também, que é adolescente”, disse ao Gazeta Digital o advogado Domingos Sávio Ferreira, que faz a defesa do tenente-coronel Soares.
 
O militar atuava como escrivão do inquérito policial militar (IPM) que apurava a conduta de policiais no esquema de escutas clandestinas e, por conta de sua função estratégica, foi cooptado pela esposa do coronel Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar, para gravar o desembargador Perri com o intuito de pedir sua suspeição no processo.
 
Além da escolta, José Henrique Soares está de licença médica por 60 dias. “Diante de toda essa situação, ele não tem tido psicológico pra estar trabalhando normalmente”, explicou o advogado dele.
 
Alvo de ameaças
 
O temor e o abalo psicológico se devem às ameaças que ele afirma ter sofrido por parte do coronel Evandro Lesco, mesmo antes de ter prestado depoimento aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringuetta.
 
“Antes das declarações, ele sofreu a coação que o fez, no primeiro momento, participar da trama que foi produzida. E ele sofreu ameaças sim, num determinado momento antes dele prestar as declarações. Isso está relatado no inquérito, foi quando ele pegou os aparelhos celulares do coronel Lesco e da Helen. Nesse momento, ele sofreu ameaça por telefone por parte do Lesco, dizendo a ele que se ele não devolvesse os aparelhos celulares, o filho dele estaria correndo risco de morte”, afirmou Domingos Sávio.
 
Mesmo com os inquéritos remetidos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o advogado de Soares afirma que a situação dele no processo continuará a mesma. “Ele no processo está como vítima dessa coação que ele sofreu e como uma das testemunhas principais para esclarecer o caso. Então, a situação processual dele permanece a mesma, ou seja, ele é uma vítima que prestou testemunho e ajudou a elucidar, mostrar como estava sendo feita toda a trama, quem eram todas as pessoas envolvidas”, disse.
 
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