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Ministério Público abre novo inquérito contra delegadas e Paulo Taques
07/08/19 - 19:24 
Por: Gazeta Digital

 

 Ministério Público (MP) de Mato Grosso abriu inquérito civil para investigar as condutas das delegadas Alessandra Saturnino e Alana Cardoso, e do ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, em supostos atos de improbidade administrativa durante o ano de 2015.

 
De acordo com a portaria assinada pelo promotor de Justiça, Reinaldo Rodrigues Filho, o objetivo é averiguar possível "violação dos princípios da administração púlica e dano ao erário público", diz trecho do documento assinado no último dia 5 de agosto.
 
O promotor seguiu a determinação do procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges, que ao oferecer denúncia contra Paulo Taques no processo sobre as escutas telefônicas ilegais, conhecida como grampolândia pantaneira, determinou que as duas delegadas fossem investigadas pelos seus atos, já que teriam sido induzidas por Taques ao erro.
 
Conforme a denúncia, o ex-secetário pediu para que fossem realizadas interceptações de comunicações telefônicas com objetivos não autorizados em lei. Ele pediu para investigar Tatiane Sangalli Padilha e Caroline Mariano, levadas a efeito no bojo das Operações Forti/Pequi e Querubim.
 
Segundo as apurações, Tatiane foi amante do ex-secretário entre os anos de 2009 até o início de 2015, quando ele assumiu a chefia da Casa Civil.
 
Consta nas investigações que durante a transição de governo, Tatiane perdeu o cargo de assistente de gabinete e, então, no início da gestão de Pedro Taques passou a cobrar de Paulo Taques cargo, o que fora por ele negado, levando, portanto, ao término do relacionamento.
 
Ainda de acordo com as apurações, Tatiane continuava procurando Paulo Taques cobrando o pagamento da parcela de um veículo Renault Duster, no valor de R$1.000,00, que o acusado havia se comprometido a arcar. Ela aparecia em eventos oficiais o que incomodava o então secretário da Casa Civil.
 
Diante da situação, segundo a denúncia, Paulo Taques se valeu do prestígio que ocupava e comunicou falsamente ao então secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, de que o governador à epoca corria risco de morte.
 
"Para comprovar suas alegações, o denunciado apresentou uma folha A4 contendo supostas conversas telefônicas interceptadas – fora do padrão costumeiramente utilizado pelos órgãos de investigação oficiais – denotando que duas mulheres tramariam algo contra si e o então governador Pedro Taques", diz um trecho do documento.
 
Por ter sido interceptada em 2014 e, durante as conversas, referia-se a Caroline como “amiguinha” e esta, por sua vez, dirigia-se a Tatiane como “loura”; daí os apelidos “Dama Loura” e “amiguinha”, que foram inseridos na Operação Forti,
A delegada Alessandra Saturnino e então secretário-adjunto de Segurança Pública, Fábio Galindo, se reuniram com Taques que apresentou três folhas de supostas ameaças ao governo. E então as informações foram repassadas à delegada de Polícia Civil Alana Darlene Cardoso, que comandava à época a Operação Forti.
 
"Isto demonstra que a suposta ameaça contra a vida do Chefe da Casa Civil e do Governador nunca existiu, não passando de uma 'história cobertura' inventada pelo acusado para monitorar, ilegalmente, sua ex-amante e sua secretária".
 
Segundo a denúncia, Taques ainda tentou interceptar ilegalmente o jornalista Muvuca, somente não conseguindo seu intento
criminoso por circunstâncias alheias à sua vontade, já que a delegada de Polícia Alessandra Saturnino não “embarcou” em sua história.
 
Operaçãos Forti 
 
Segundo as investigações, Alana Cardoso coordenou, em 2015, a Operação Forti, cujos principais alvos seriam pessoas em associação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho de Mato Grosso (CVMT).
 
Porém, na lista de pessoas interceptadas nessa operação também estavam as ex-servidoras Tatiana Sangalli Padilha e Caroline Mariano dos Santos. Ambas tinham vínculos estreitos com o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques.
 
Responsável pelos principais processos de combate à corrupção e ao crime organizado em Mato Grosso, a juíza Selma Rosane Arruda, titular da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, foi quem deu autorização para interceptar Tatiana e Caroline, em 26 de fevereiro de 2015. No entanto, as ex-servidoras eram identificadas como “Dama Lora” e “Amiguinha”, respectivamente.
 
Menos de um mês depois disso, houve um pedido para excluir “Dama Lora” e “Amiguinha” da lista de interceptações. E no dia 26 de março de 2015, a magistrada atende ao pedido do delegado Flavio Henrique Stringueta, então chefe da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), e permite que Tatiana e Caroline sejam grampeadas, dentro das investigações da
 
Operação Querubim
 
Essa operação investigou, sob sigilo, um suposto plano de uma organização criminosa que estaria vinculada ao ex-comendador João Arcanjo Ribeiro e pretendia armar contra a vida do então governador do estado, Pedro Taques (PSDB).
 
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