Maia, Renan e Lula criticam ataques de Bolsonaro a TSE e urna eletrônica

Por Redação em 10/07/2021 às 18:43:18

O presidente da República afirmou a apoiadores que o resultado das eleições "será manipulado" O ex-presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, chamou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de "covarde" e disse que ele "sabe que a derrota é inevitável". As mensagens foram publicadas na rede social de Maia ao defender o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, que vem sendo atacado por Bolsonaro nos últimos dias.

"Em 2018, atacava homossexuais, mulheres e qualquer um que pensasse diferente", disse Maia sobre Bolsonaro. "Hoje, acrescentou à lista de ataques a urna eletrônica e o presidente do TSE porque sabe que a derrota é inevitável. Meu apoio irrestrito ao ministro Barroso."

Neste sábado, após participar de "motociata" - manifestações promovidas por motociclistas apoiadores -, Bolsonaro afirmou que Barroso defende a pedofilia, o aborto e a legalização das drogas. "Com essas bandeiras todas, ele não tinha que estar no Supremo, tinha que estar no parlamento", disse. "O que o Barroso quer é a volta da roubalheira, é a volta da impunidade através da fraude eleitoral."

Ontem, Bolsonaro já havia afirmado a outros apoiadores que o resultado das próximas eleições "será manipulado" e fez duras críticas a Barroso, chamando-o de "imbecil". O presidente do TSE classificou as declarações como "lamentáveis", tanto "quanto à forma e ao conteúdo". "A realização de eleições, na data prevista na Constituição, é pressuposto do regime democrático. Qualquer atuação no sentido de impedir a sua ocorrência viola princípios constitucionais e configura crime de responsabilidade", disse o ministro, em nota.

"Não adianta querer me ameaçar de crime de responsabilidade, que não tem moral", replicou Bolsonaro hoje. O presidente disse que é "imorrível" e criticou ainda a CPI da Pandemia. "E àqueles que pensam que com parecerzinho de CPI picareta ou ameaça de crime de responsabilidade, que somente Deus me tira da cadeira presidencial", afirmou.

Também hoje, mais cedo, em entrevista à Rádio Gaúcha, Bolsonaro voltou a falar que não vai responder à carta enviada nesta semana pela cúpula da CPI instando o mandatário a confirmar ou negar denúncias de corrupção no Ministério da Saúde.

"Não tenho obrigação de responder para três bandidos. Eu vou responder para ladrões, bandidos? Não vou responder", afirmou à rádio, em alusão ao relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), ao seu presidente e vice, os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Sobre essas declarações de Bolsonaro hoje, Renan Calheiros escreveu em uma rede social que não é "especialista em anatomia, mas é preciso examinar se depois da facada não costuraram o intestino direto na garganta", referindo-se à facada que Bolsonaro recebeu durante a campanha de 2018. "Talvez só isso explique a retórica da Primeira Latrina", completou. Em sua live semanal, Bolsonaro já havia dito que não iria responder nada e afirmou: "Caguei para a CPI".

Em encontro com representantes da área da cultura em São Paulo, o ex-presidente Lula disse, sobre Bolsonaro, que "o genocida está ameaçando todo dia" e ironizou a defesa que o presidente tem feito do voto impresso, imitando o que seriam suas falas: "Ah, eu não aceito resultado, eu não aceito. Eu quero voto por expresso [por escrito], eu quero voltar ao tempo do dinossauro no país. Eu quero uma pedra para dar o meu voto. Me dê uma pedra que eu quero fazer o meu voto em uma pedra."

Na conversa com apoiadores após a "motociata" de hoje, Bolsonaro disse que "se aquele de nove dedos tem 60%, segundo o Datafolha, vamos fazer o voto impresso, auditável para ver se ele ganha realmente no primeiro turno". Bolsonaro se referia a Lula, que, segundo pesquisa divulgada ontem pelo instituto, apresentava 46% das intenções de voto no primeiro turno da eleição ao Planalto de 2022, contra 25% do atual presidente. Nesse cenário, segundo o Datafolha, em votos válidos Lula chega a 52%, o que dentro da margem de erro lhe garantiria a vitória em primeiro turno.

Fonte: Valor Econômico

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