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Sergio Camargo nega à Justiça assédio moral e perseguição política de servidores

Por Redação em 21/09/2021 às 16:14:46

Ministério Público do Trabalho pediu afastamento imediato do presidente da Funda√ß√£o Palmares, após investiga√ß√£o de denúncias de funcion√°rios. Entidade diz que h√° 'falsa no√ß√£o de persegui√ß√£o'. Foto de arquivo de 6 de maio de 2020 do presidente da Funda√ß√£o Palmares, Sérgio Camargo

GABRIELA BILÓ/ESTAD√ÉO CONTEÚDO

Em manifesta√ß√Ķes à Justi√ßa do Trabalho do Distrito Federal, o presidente da Funda√ß√£o Palmares, Sérgio Camargo, e a própria entidade, negaram assédio moral contra servidores e ex-servidores e afirmaram que nenhuma demiss√£o ocorreu por persegui√ß√£o política ou ideológica.

Os esclarecimentos foram solicitados em a√ß√£o movida pelo Ministério Público do Trabalho no DF (MPT-DF), que pediu o afastamento imediato de Camargo da presidência da funda√ß√£o, por assédio moral. Segundo a investiga√ß√£o, Camargo é respons√°vel por persegui√ß√£o político-ideológica, discrimina√ß√£o e tratamento desrespeitoso (veja mais abaixo).

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Em 1¬ļ de setembro, a Justi√ßa havia determinado que Camargo e a entidade dessem explica√ß√Ķes. Por meio da Advocacia-Geral da Uni√£o (AGU), a Funda√ß√£o Palmares negou persegui√ß√£o, disse que os desligamentos foram espont√Ęneos e que n√£o houve qualquer imposi√ß√£o para servidores permanecerem na entidade.

"Na realidade, pode-se depreender dos depoimentos que h√° uma falsa no√ß√£o de persegui√ß√£o, j√° que a maioria dos depoentes alega n√£o ser perseguida pela presidência da entidade, havendo somente declara√ß√Ķes unilaterais dos servidores exonerados contendo juízos de valor a respeito das manifesta√ß√Ķes no Twitter pessoal do dirigente", diz o texto.

O que diz Sérgio Camargo

Sergio Camargo é presidente da Funda√ß√£o Palmares

Fundação Palmares/Divulgação

A funda√ß√£o defendeu que n√£o h√° prova no processo que justifique o afastamento de Camargo do cargo. J√° o presidente disse que, pela leitura dos depoimentos, "n√£o h√° como caracterizar nenhum assédio moral".

"Visto que em nenhum momento minhas atitudes se enquadram no conceito de assédio moral ou têm natureza de persegui√ß√£o a um ou v√°rios servidores", afirmou.

Segundo ele, "resta consignar que esses esclarecimentos s√£o, t√£o somente, para demonstrar a ausência de padr√£o comportamental que possam fazer com que os servidores afirmem que a exonera√ß√£o é fundada em persegui√ß√£o político- ideológica e/ou por preconceito racial/religioso. Em verdade, relata-se que v√°rios saíram espontaneamente sem nenhum di√°logo com este Presidente, o que é, e deve ser considerado, como um ato democr√°tico e pessoal. N√£o houve para esses servidores a m√£o forte do Estado obrigando-os a estar na Funda√ß√£o Cultural Palmares".

O presidente da funda√ß√£o disse que h√° muitos questionamentos sobre suas postagens em redes sociais em torno das quest√Ķes políticas e os entraves sociais vividos em torno da popula√ß√£o negra.

"Contudo, a manifesta√ß√£o de opini√£o de um cidad√£o brasileiro em rede social n√£o pode ser considerada impedimento legal, moral ou ético para o provimento em cargo comissionado e muito menos conflitar com aquilo que é chamado de “verdade real” no mundo dos fatos, restando caracterizado n√£o haver ilegalidade ou ilegitimidade nas manifesta√ß√Ķes em redes sociais."

Ele disse ainda que "as convic√ß√Ķes políticas de um cidad√£o, a sua escolha religiosa, seus pensamentos, nunca foram critérios para a nomea√ß√£o em cargos comissionados e/ou motivos de exonera√ß√£o".

Assédio moral

Exclusivo: presidente da Funda√ß√£o Palmares é acusado na Justi√ßa de assédio moral, discrimina√ß√£o e persegui√ß√£o ideológica

As investiga√ß√Ķes do Ministério Público do Trabalho duraram um ano. Reportagem do Fant√°stico revelou detalhes da investiga√ß√£o realizada pelo órg√£o (assista acima). Segundo o MPT, foram ouvidas 16 pessoas, entre ex-funcion√°rios, servidores públicos concursados, comissionados e empregados terceirizados.

"Os depoimentos s√£o uníssonos, comprovando, de forma cabal, as situa√ß√Ķes de medo, tens√£o e estresse vividas pelos funcion√°rios da Funda√ß√£o diante da conduta reprov√°vel de persegui√ß√£o por convic√ß√£o política praticada por seu Presidente e do tratamento hostil dispensado por ele aos seus subordinados", afirmou o procurador Paulo Neto.

Para ele, a investiga√ß√£o comprova que o gestor "persegue os trabalhadores que ele classifica como 'esquerdistas', promovendo um 'clima de terror psicológico' dentro da Institui√ß√£o".

Além do afastamento do dirigente, o MPT solicitou que a Funda√ß√£o Palmares seja impedida de submeter ou tolerar a exposi√ß√£o de trabalhadores a atos de assédio moral praticados por qualquer de seus gestores. Cobrou ainda que seja realizado, no prazo de 180 dias, um diagnóstico do meio ambiente psicossocial do trabalho, por profissional da √°rea de psicologia social.

No processo, o Ministério Público do Trabalho requereu ainda que a Funda√ß√£o Palmares e o presidente Sérgio Camargo sejam condenados ao pagamento de R$ 200 mil, por danos morais coletivos.

Histórico

Manifestantes pedem saída de Sérgio Camargo da Funda√ß√£o Palmares

A nomea√ß√£o de Sérgio Camargo para a presidência da Funda√ß√£o Cultural Palmares foi oficializada em 27 de novembro de 2019 e gerou uma série de críticas e indigna√ß√£o.

Numa publica√ß√£o antes de ser nomeado para o cargo, o jornalista classificou o racismo no Brasil como "nutella". "Racismo real existe nos Estados Unidos. A negrada daqui reclama porque é imbecil e desinformada pela esquerda", afirmou.

Ele também postou, em agosto de 2019, que "a escravid√£o foi terrível, mas benéfica para os descendentes". "Negros do Brasil vivem melhor que os negros da √Āfrica", completava a publica√ß√£o.

Sobre o Dia da Consciência Negra, Sérgio Camargo afirmou que o "feriado precisa ser abolido nacionalmente por decreto presidencial". Ele disse que a data "causa incalcul√°veis perdas à economia do país, em nome de um falso herói dos negros (Zumbi dos Palmares, que escravizava negros) e de uma agenda política que alimenta o revanchismo histórico e doutrina o negro no vitimismo".

Sérgio publicou uma mensagem numa rede social na qual disse que "sente vergonha e asco da negrada militante". "Às vezes, [sinto] pena. Se acham revolucion√°rios, mas n√£o passam de escravos da esquerda", escreveu.

Em 13 de maio, anivers√°rio da Lei √Āurea, Sérgio Camargo publicou artigos depreciativos a Zumbi no site oficial da institui√ß√£o. Em redes sociais, disse que Zumbi é "herói da esquerda racialista; n√£o do povo brasileiro. Repudiamos Zumbi!".

Leia mais notícias sobre a regi√£o no g1 DF.

Fonte: G1

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