ONM 2

Lula: BC deveria ser autônomo, mas sofre interferências políticas

Por Redação em 18/06/2024 às 14:20:45

O presidente Luiz In√°cio Lula da Silva criticou nesta terça-feira (18) a forma como o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, tem conduzido as pol√≠ticas da instituição. Em entrevista à R√°dio CBN, ele disse que a aproximação do presidente do banco com a oposição levanta suspeitas, chegando a admitir que, provavelmente, o governador de São Paulo, Tarc√≠sio de Freitas, exerça influ√™ncia maior no BC do que o próprio governo.

"Nós só temos uma coisa desajustada no Brasil neste instante. É o comportamento do Banco Central. Temos um presidente do BC que não demonstra nenhuma capacidade de autonomia e que tem um claro lado pol√≠tico. Na minha opinião, ele trabalha muito mais para prejudicar do que para ajudar o pa√≠s", afirmou o presidente.

Lula afirmou que é um dos chefes de Estado com mais experi√™ncia em toda a história do pa√≠s. E citou sua escolha pelo economista Henrique Meirelles, que esteve à frente do BC de 2003 a 2011. "Eu duvido que esse Roberto Campos tenha mais autonomia do que tinha o Meirelles", afirmou o presidente, ao criticar a aproximação de Campos com o governador de São Paulo.

"Sinceramente, acho que o Tarc√≠sio de Freitas tem mais influ√™ncia [com o Roberto Campos] do que eu", disse Lula ao se referir ao pedido do presidente do BC para integrar a equipe econômica do governador de São Paulo durante evento na capital paulista.

"Não é que ele se encontrou com Tarc√≠sio numa festa. A festa foi do Tarc√≠sio para ele [Roberto Campos]. Foi uma homenagem que o governo de São Paulo fez para ele. Certamente porque o governador est√° achando maravilhosa a taxa de juro em 10,5%", completou.

Segundo ele, não h√° nenhuma explicação que justifique a taxa de juro atual, e isso é percebido até mesmo por autoridades estrangeiras, inclusive financeiras. "Tenho viajado o mundo e tenho conversado com muitos presidentes. Recebi presidentes do FMI [Fundo Monet√°rio Internacional]; de bancos asi√°ticos; do Citibank; do Santander. Todos os bancos demonstram que não h√° pa√≠s com mais otimismo do que o Brasil. Prova disso é que fomos o segundo pa√≠s a receber mais investimento externo".

"Portanto, temos uma situação que não necessita desta taxa de juros. O Brasil não pode continuar com essa taxa proibitiva de investimento no setor produtivo. Precisamos baix√°-la para um n√≠vel compat√≠vel com a inflação, que est√° totalmente controlada. Só que agora ficam inventando o discurso de inflação do futuro. Vamos trabalhar em cima do que é real".

Taxações e desonerações

Lula também apontou o que chamou de contradições que retratam o cen√°rio atual do pa√≠s. Ele disse que os que hoje criticam gastos do governo são os mesmos que defenderam desonerações de setores com altos lucros.

Para o presidente, juros altos não condizem com o contexto de baixa inflação, promovidos por um Banco Central que deveria ser autônomo, mas sofre interfer√™ncias pol√≠ticas da oposição.

Na entrevista, Lula afirmou que legisladores se mobilizam para taxar pequenas importações, geralmente feitas por pobres, sem cogitar fazer o mesmo com os ricos. Sua fala foi uma refer√™ncia à proposta de taxação, aprovada recentemente no Congresso, de compras de até US$ 50 feitas pela internet, e a não taxação de compras de até US$ 2 mil de quem viaja para o exterior.

"O que est√° acontecendo hoje é que as mesmas pessoas que falam que é preciso parar de gastar são as que t√™m R$ 546 bilhões de isenções e de exoneração de folha de pagamento. Ou seja, são os ricos que se apoderam de uma parte do orçamento do pa√≠s e se queixam daquilo que voc√™ est√° gastando com o povo pobre", observou.

O presidente se disse disposto a discutir "de forma séria" o orçamento com parlamentares, empres√°rios, banqueiros e com a imprensa, mas garantiu que a solução ser√° "em cima das pessoas mais humildes deste pa√≠s".

"Acabamos de aprovar uma desoneração para 17 setores da ind√ļstria brasileira, e qual foi a contrapartida deles para o trabalhador? Qual é a estabilidade no emprego que eles garantiram? Qual foi o aumento do sal√°rio que asseguraram? Nenhum. Tudo foi apenas para isentar da carga fiscal. Não teve nenhum compromisso com o povo trabalhador. O compromisso que se teve foi apenas o de aumentar o lucro", argumentou o presidente.

Ele lembrou que a Previd√™ncia Social é destino de quase R$ 1 trilhão, valor que ficar√° ainda maior com as novas aposentadorias. "Mas o que, de fato, é muito é voc√™ ter quase R$ 600 bilhões em isenções e desonerações", acrescentou.

Lula afirmou que, nas conversas que vem tendo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou-se à conclusão de que caber√° aos empres√°rios beneficiados e ao Senado a busca por uma solução. "J√° h√° uma decisão da suprema corte, de que, daqui a uns dias, a desoneração vai cair e vai morrer. A√≠ não vai existir mais e a √ļnica possibilidade ser√° a de se chegar a um acordo. Portanto, se não tiver a proposta, cai a desoneração. Espero que eles sejam maduros o suficiente e cheguem a um acordo", completou.

Reeleição

Perguntado sobre uma poss√≠vel candidatura à reeleição, Lula disse que, por enquanto, não quer discutir o assunto, uma vez que cumpriu menos da metade do mandato e que h√° "muita gente boa" para se candidatar ao cargo.

Ele, no entanto, acenou com a possibilidade, caso seja a √ļnica alternativa "para evitar que os trogloditas que governaram esse pa√≠s voltem governar", mas que esta não é a primeira hipótese.

"Vamos ter que pensar muito porque tenho responsabilidade para com o Brasil. O fato é que não vou permitir que esse pa√≠s volte a ser governado por um fascista negacionista".

Fonte: Agência Brasil

Comunicar erro
Agro Noticia 728x90