AL- Vacina que volta

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro diz que ex-mulher do presidente cuidava de esquema de 'rachadinha'

arcelo Nogueira, que se desentendeu com Ana Cristina Valle por causa de salário baixo, aponta também suposta compra do imóvel - que ela diz ter alugado - por meio de 'laranjas', em 'contrato de gaveta'

Por Redação em 03/09/2021 às 12:25:20

Um homem que se apresenta como ex-assessor parlamentar do senador Fl√°vio Bolsonaro (Patriota) e afirma ter trabalhado durante 14 anos para a família do presidente Jair Bolsonaro acusa os irm√£os Fl√°vio e Carlos Bolsonaro (que é vereador no Rio pelo Republicanos), além da ex-mulher do presidente, a advogada Ana Cristina Valle, de terem praticado o esquema de "rachadinhas" (devolu√ß√£o do sal√°rio de funcion√°rios nomeados), entre outros crimes. Marcelo Luiz Nogueira dos Santos brigou com Ana Cristina neste ano e deu entrevista ao site Metrópoles, narrando sua vers√£o dos fatos.

O ex-assessor disse que come√ßou a trabalhar com a família Bolsonaro após um pedido de seu namorado, que era cabeleireiro de Ana Cristina, ent√£o mulher do presidente, em 2002. Nogueira afirmou ao site que come√ßou a trabalhar na campanha eleitoral de Fl√°vio Bolsonaro, que concorria pela primeira vez a deputado estadual no Rio. Fl√°vio se elegeu, e Nogueira foi convidado a se tornar assessor parlamentar de nível quatro, com sal√°rio bruto oficial de R$ 7.326.

Ana Cristina Valle

A advogada Ana Cristina Valle, ex-mulher do candidato Jair Bolsonaro, em sua casa em Resende, no interior do Estado Foto: Fabio Motta/Estad√£o

Mas havia uma condi√ß√£o, exposta por Ana Cristina: ele teria de devolver 80% do sal√°rio, no esquema conhecido como "rachadinha", o que é crime. Nogueira aceitou a proposta e trabalhou de 19 de fevereiro de 2003 a 6 de agosto de 2007. Nesse período, segundo ele, outros funcion√°rios também "devolviam" ao gabinete porcentuais de seus vencimentos. Ana Cristina era a respons√°vel pelo recolhimento. Nogueira afirmou ao Metrópoles que o esquema vigorava tanto no gabinete de Fl√°vio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) como no de Carlos, vereador na capital fluminense desde 2001. A advogada só teria deixado de exercer a fun√ß√£o ao se separar de Jair, em 2007.

Após a separa√ß√£o, em 6 de agosto de 2007, Nogueira foi exonerado do cargo. Teria passado ent√£o a trabalhar no escritório de advocacia de Ana Cristina. Ele diz ter sido ent√£o procurado por Jair Bolsonaro, que teria lhe pedido para passar a morar na casa de Ana Cristina, para cuidar de Jair Renan, na época com 9 anos. Nogueira aceitou a proposta e trabalhou como empregado doméstico de Ana Cristina até 2009, quando ela se mudou para a Noruega, onde se casou novamente, com o noruegu√™s Jan Raymond Hansen. Embora tenha deixado de trabalhar para a família, Nogueira afirmou ter se tornado amigo de Ana Cristina, a ponto de ir visit√°-la na Europa.

Em 2014, Ana Cristina voltou a morar no Brasil e contratou Nogueira para trabalhar na casa dela, em Resende, na Regi√£o Sul fluminense. Ali ficou até fevereiro deste ano, quando a advogada decidiu se mudar para Brasília. Come√ßava aí, segundo Nogueira, a desaven√ßa entre ele e Ana Cristina.

Marcelo Nogueira sustenta que aceitou se mudar para Brasília e seguir trabalhando para a ex-mulher de Jair Bolsonaro pelo sal√°rio de R$ 3 mil. Mas a advogada, embora tenha se comprometido a pagar esse valor, só pagou R$ 1.300 mensais, alegando falta de dinheiro. O funcion√°rio protestou. "Falei para ela: "Cristina, n√£o sou obrigado a morar na sua casa. Trabalho para ter meu canto e em Brasília tudo é caro. Voc√™ pensa que vou ficar na sua casa e ser seu escravo? A escravid√£o j√° acabou. Voc√™ é racista. Isso é racismo. Voc√™ me tirou l√° do Rio só porque em Brasília eu n√£o tenho ninguém e n√£o conhe√ßo nada? Acha que vou aceitar o que quer fazer comigo?'", disse ao site Metrópoles.

Em junho, segundo Nogueira, ele teve ajuda de Jair Renan para deixar a casa da advogada e se hospedar, por algumas semanas, em um apartamento de Jair Bolsonaro em Brasília. Nogueira, ent√£o, fez uma denúncia de viola√ß√Ķes trabalhistas contra a advogada ao Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal (MPT-DF). Em agosto, voltou para o Rio de Janeiro.

O MPT-DF confirmou ao Metrópoles que o empregado, de fato, fez a denúncia e uma investiga√ß√£o foi aberta para apurar o caso. Em nenhum dos momentos em que trabalhou para Ana Cristina ou para Jair Bolsonaro (para ser bab√° de Jair Renan), Nogueira foi registrado como empregado.

Ele afirmou ainda que Ana Cristina comprou a casa onde passou a morar com o filho Jair Renan – ela disse à imprensa ter alugado o imóvel. Segundo o ex-funcion√°rio, a advogada comprou a mans√£o, que tem 1.200 m¬≤ de √°rea total e 395 m¬≤ de √°rea construída, piscina de 50 m¬≤, aquecimento solar e quatro suítes, por meio de dois laranjas, com quem teria firmado um contrato "de gaveta". Trata-se de um documento n√£o registrado em cartório para que eles repassem o imóvel a Ana Cristina ao final do financiamento. Segundo Nogueira, o objetivo seria n√£o chamar a aten√ß√£o da imprensa para a compra de mais um imóvel de luxo pela família Bolsonaro.

O ex-funcion√°rio afirmou n√£o saber qual foi o pre√ßo pago pela mans√£o, mas disse que a casa estava sendo negociada por um valor entre R$ 2,9 milh√Ķes e R$ 3,2 milh√Ķes. O Metrópoles informou n√£o ter conseguido contato com Ana Cristina Valle. Jair e Carlos Bolsonaro n√£o responderam aos questionamentos do site. Fl√°vio Bolsonaro afirmou que desconhece as acusa√ß√Ķes de Santos e que nunca praticou irregularidades na Alerj.


Fonte: Estad√£o

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